Evitar dívidas é a blindagem para enfrentar as eleições.

Guia orienta o que fazer diante da instabilidade econômica provocada pelas urnas.

Evitar dívidas, “quebrar” o cartão de crédito se for viajar de férias para o exterior, trocar o empréstimo caro no cheque especial pelo mais barato no consignado e se preparar para os já esperados reajustes dos combustíveis, andando mais de ônibus, e da energia elétrica, e trocando lâmpadas dentro de casa. As dicas são de economistas ouvidos pelo DIA diante da turbulência nos mercados financeiros decorrente das eleições presidenciais. Em comum a todos, a certeza de que a blindagem para enfrentar o momento é evitar se endividar.

Nas ruas, o consumidor já começa a perceber que é hora de cortar gastos, uma vez que até os alimentos estão com grande variação de preços. “Em três meses as frutas dobraram de valor”, comenta a auxiliar administrativa Karina Siqueira, 29 anos.

Economistas apontam que Karina e os demais consumidores devem se preparar também para outros reajustes, logo após o 2º turno das eleições ou mais tardar em 2015. A conta de luz, por exemplo, pode subir 2,6% e o combustível, 10% nos postos. Os dois gastos têm preços controlados pelo governo, e estão com valores defasados em função da inflação alta e até mesmo por pressão das urnas.

“Para 2015, há a possibilidade de alta nos preços da luz e da gasolina. Então a dica é evitar gasto excessivo e não se endividar”, explica Gilberto Braga, professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral. Segundo ele, o câmbio também deve subir em 2015, o que afeta quem pretende viajar para o exterior. “O consumidor deve procurar promoções das agências de viajens ou viajens nacionais”, orienta.

Ofertas são o que a supervisora técnica Luciana Santos, 36 anos, busca. “Eu vou atrás das vantagens que o comércio oferece, para continuar comprando”, disse.

As tarifas serão o principal foco da pressão inflacionária no ano que vem. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou inflação de 5,9% em 2015. “No momento, temos uma situação delicada. As pessoas estão com o orçamento mais contido. Não sabemos como serão as vendas para o Natal, mas é preciso ter muito cuidado com os gastos”, aponta o consultor do Grupo AZO Marco Quintarelli.

Também é esperada alta nos juros do crediário. Os economistas acreditam que o Banco Central vai elevar a taxa básica de juros (Selic), indo dos 11% atuais até 12,5% ao ano em 2015.

Com os preços em alta, comer fora de casa se tornou um evento de luxo. “As idas ao restaurante foram diminuídas para o gasto do orçamento continuar o mesmo”, diz o administrador Luiz Felipe, 47 anos.

Cesta básica registra quarta queda seguida, mas tem alta de 3,57% no ano

A cesta básica de alimentos do Município do Rio já acumula alta de 3,57% este ano, um número que só não é maior em função de pequenas quedas que vem ocorrendo nos últimos quatro meses. Mesmo assim, a cesta que passou a custar R$ 326,78, em setembro ainda é uma das mais caras de todo o país, segundo a pesquisa do Dieese.

Esse valor representa uma redução de 0,26% em relação à média apurada em agosto (R$ 327,64). A cesta leva em consideração 13 produtos.

Entre agosto e setembro de 2014, cinco deles tiveram preços reduzidos, sendo as quedas mais expressivas para a batata (-11,88%), tomate (-8,43%) e açúcar (-4,07%). Outros dois produtos, como o feijão e o óleo, não apresentaram variação. Por outro lado, seis sofreram reajuste, com destaque para farinha de trigo (3,52%) e leite (3,13%).

No ano, oito dos treze produtos pesquisados pelo Dieese apresentaram aumento, como leite, 13,63%, banana, 11,24%, arroz, 8,75%, carne bovina, 8,37%, e pão, 7,78%. Por outro lado, dos cinco produtos que ficaram mais baratos, o que teve redução maior foi a batata, com queda de acumulada de 40,51%.

Na comparação com os valores de setembro de 2013, dez produtos ficaram mais caros, em especial o tomate, com alta de 53,66%, seguido à distância pela carne bovina, com 16,97% e pela banana, com 14,10%. No sentido oposto, outros três registraram preços inferiores em 2014, tendo a batata (-38,16%) sofrido a maior queda de valor, nos últimos doze meses.

O Município do Rio figurou como a cidade com a quinta cesta básica mais cara, dentre as 18 capitais pesquisadas mensalmente pelo Dieese.

Segundo o departamento, o salário mínimo necessário para o trabalhador do Rio deveria ser de R$ 2,8 mil (três vezes o atual, de R$ 724. O trabalhador da cidade necessitou de uma jornada de 99 horas e 18 minutos para adquirir uma cesta básica, tendo o valor representado 49,06% do salário mínimo líquido (R$666,08), ou seja, após os descontos da Previdência.

FIQUE ATENTO

Faça o planejamento de seus gastos: os atuais, as dívidas já assumidas e o que planeja comprar no fim do ano;

Reserve uma parcela do 13º salário para os gastos do começo do ano que vem, como IPTU, IPVA e matrícula da escola dos filhos;

Não use o cheque especial para comprar presentes;

Evite os parcelamentos longos e opte pelos prazos mais curtos. Quanto maior o número de parcelas, maior o risco do acúmulo excessivo de dívidas;

Cuidado com o cartão de crédito. Ele dá a sensação de que não se está gastando, aumentando o risco de descontrole do consumidor;

Quem já está endividado deve pesquisar preços, comprar apenas o necessário e, se possível, pagar à vista;

Ao fechar um pacote de viagem, lembre-se de que ele será mais uma dívida a ser paga nos meses seguintes;

Nas férias os gastos com passeios, cinemas, parques, aumentam. Isso precisa fazer parte do planejamento.

Negocie direto com a loja, banco, administradora de cartão de crédito ou financeira;

Antes de ir ao supermercado, faça uma lista do que é preciso. Não vá com fome porque é sempre um estímulo para compras desnecessárias;

Procure fazer os pagamentos sempre em dia, seja de despesas fixas, financiamentos ou cartões de crédito, evitando juros e multas.

Fonte:Jornal O Dia.com.br

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